Legal Operations (Legal Ops) ou Operações Legais? Não importa como decidir chamá-la, o fundamental é conhecer a área que vem ganhando força e reconhecimento no Brasil.

Muito mais que um termo novo, a Legal Ops representa o futuro do Direito e pode gerar uma verdadeira transformação na gestão jurídica dos escritórios de advocacia e dos departamentos jurídicos. 

A área surge para tornar a equipe jurídica mais eficiente e focada nas atividades específicas da advocacia. Entenda o que é a área de Operações Legais e como ela apoia o ecossistema jurídico na prática!

Afinal, o que são as Operações Legais?

Operações Legais, também conhecidas como Legal Operations (Legal Ops), são um conjunto de ferramentas administrativas, gerenciais, tecnológicas, operacionais e acadêmicas relacionado à gestão jurídica de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos.

Na prática, organizam fluxos de trabalho que conduzem a operação administrativa, financeira e de controladoria jurídica, integrando essas subáreas que já fazem parte do ecossistema jurídico.

Ao integrar essas subáreas e aplicar conceitos de gestão empresarial na área jurídica, tem-se uma visão sistêmica e estratégica, sendo possível ter maior eficiência operacional e, principalmente, permitir que o departamento técnico-jurídico atue com foco em assessoria jurídica, deixando os serviços operacionais sob a gestão da Legal Ops.

Operações Legais: um conceito nem tão novo assim

No Brasil, as Operações Legais têm um surgimento recente, com uma proposta de modernização sobre a abrangência e a estratégia  da área de controladoria jurídica. Mas esse conceito, na verdade, não é tão novo assim. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a área de Legal Ops já é bastante difundida e aplicada.

Nos anos 90 já se falava de Legal Ops, porém apenas em grandes empresas que já tinham uma estrutura organizacional definida. Na época, o foco dessa área estava na gestão de riscos e na redução de custos.

Ao longo dos anos, percebeu-se a importância da área, independentemente do tamanho do departamento jurídico ou do escritório de advocacia. Com o avanço tecnológico em um mundo cada vez mais conectado, veloz e em constante mudança, a partir dos anos 2000, essa área tornou-se ainda mais estratégica, agregando valor ao negócio.

Em um processo análogo, podemos citar o exemplo da área de Recursos Humanos, que por muito tempo foi vista de forma mais operacional, voltada à folha de pagamento e às demandas administrativas. Mais tarde, foi reconhecida pela alta administração das empresas, tornando-se uma área estratégica para a gestão de pessoas. 

Voltando à área jurídica, a partir de 2019, então, além da estruturação de processos e atividades, começou-se a focar cada vez mais nas tecnologias para otimizar o dia a dia do profissional jurídico, como também na coleta e análise de dados que apoiam decisões estratégicas.

Operações Legais na prática

O departamento de Operações Legais é composto por profissionais de diversas áreas, que interagem entre si promovendo a colaboração e agregando conhecimentos, habilidades e competências específicas que convergem no mesmo objetivo: a eficiência operacional, resultando em um atendimento de qualidade para os clientes, sejam eles internos ou externos.

Dessa forma, processos como planejamento estratégico, gestão orçamentária, gestão do conhecimento e ciência de dados se conectam ao Direito, profissionalizando o setor para obter melhores resultados. 

Assim como cada empresa tem seus processos organizados de forma particular, de acordo com o porte, segmento, diretrizes estratégicas e outros fatores, o mesmo ocorre no ecossistema jurídico.

Cada um pode definir quais processos e atividades serão englobados nas Operações Legais. Contudo, há 12 competências essenciais para a eficiência da área de Legal Ops definidas pelo CLOC (Corporate Legal Operations Consortium).

O CLOC é uma comunidade global de especialistas que atua para apoiar os profissionais jurídicos em melhorias no negócio. As 12 competências, chamadas de CORE 12, são divididas em graus de maturidade, guiando as organizações jurídicas para uma implementação adequada de acordo com as características de cada uma.

Além disso, servem como um modelo de referência para lapidar os processos e promover o crescimento sistêmico dos negócios jurídicos. São elas:

  1. Inteligência de mercado
  2. Gestão financeira
  3. Gestão de fornecedores
  4. Governança da informação
  5. Gestão do conhecimento
  6. Inovação e sustentabilidade
  7. Operações
  8. Gestão de Projetos
  9. Gestão de Serviços
  10. Planejamento Estratégico
  11. Tecnologia
  12. Treinamento e desenvolvimento

Quem são os profissionais que atuam na área

Com competências tão distintas e ao mesmo tempo tão essenciais umas às outras, os profissionais que atuam nas Operações Legais são multifuncionais. Afinal, cada competência exige uma expertise e, para isso, nada melhor do que ter diversidade na equipe.

Nesse caso, além dos profissionais do Direito, designers podem gerir projetos jurídicos, business partners de RH (parceiros de negócios com atuação estratégica) podem atuar na formação de equipes e cientistas de dados podem subsidiar o setor com dados estratégicos para tomada de decisões, por exemplo.

Outros profissionais como desenvolvedores de TI, economistas, relações públicas, analistas financeiros e engenheiros compõem o departamento de operações. Inclusive, a demanda por esses colaboradores vem crescendo. Conforme pesquisa feita pela Gartner, desde 2018 houve um aumento de 76% na contratação de profissionais de Legal Operations nos departamentos jurídicos. 

Vale destacar, porém, que é fundamental que todos, independentemente da formação acadêmica, tenham uma base de conhecimento jurídico, já que os processos e atividades do dia a dia acontecem dentro deste segmento.

Por fim, toda equipe precisa de um líder. Nesse caso, o Chief Legal Operations Officer (CLOO), ou Diretor Jurídico de Operações, é o responsável por gerenciar o setor, garantindo a execução correta das atividades, verificando a necessidade de reestruturação de processos e identificando desafios e oportunidades dentro da área.

O CLOO deve, ainda, ter uma participação ativa na tomada de decisões, se aproximando das demais áreas administrativas e estratégicas, especialmente da alta administração.

Principais benefícios das Operações Legais

Certamente você já percebeu que são vários os benefícios trazidos pela Legal Operations, mas os principais são:

Promover a estruturação estratégica do setor

Ao criar planos e fluxos de trabalho que detalham processos e atividades, os colaboradores têm mais clareza sobre a própria atuação, pois conhecem quais papéis e responsabilidades estão atribuídos a cada um.

Mais do que isso, a área jurídica se alinha à estratégia da organização, concentrando esforços em atividades específicas da prática da advocacia.

Automatizar processos e economizar recursos 

Enxergar a tecnologia como aliada do departamento é essencial em qualquer processo de Legal Ops. As ferramentas digitais automatizam processos manuais, tornando a operação mais ágil.

Como resultado, é possível economizar recursos financeiros e investir adequadamente a partir de previsões financeiras. Da mesma maneira, otimiza-se o tempo dos colaboradores que ganham em produtividade, já que conduzem as atividades com mais velocidade, podendo, inclusive, focar em tarefas estratégicas da assessoria jurídica.

Prover informação com base em dados

Os profissionais de data analytics, como Analistas ou Cientistas de Dados, são peça-chave da Legal Ops. Isso porque suprem à área dados inteligentes que, mais tarde, transformam-se em conhecimento.

Ao criar uma base histórica de dados e a partir dela obter insights e prever padrões, o CLOO junto a equipe pode identificar gargalos, oportunidades e desafios na operação. Além disso, os dados favorecem a melhoria contínua, uma das premissas do departamento de operações.

Integrando tudo isso à implementação de ferramentas de gestão como o OKR (Objectives and Key Results), por exemplo, o profissional de dados consegue fazer um acompanhamento da gestão da área, apoiando o gestor e a organização em decisões estratégicas.

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